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A maturidade escrita nas nossas cicatrizes

Quando a dor vira marca que faz o homem amadurecer

A maturidade escrita nas nossas cicatrizes Posted on 8 de Janeiro de 2018

Amante das letras, da música e da fotografia. Criador do site Na Companhia do Café e autor de todos os textos postados aqui.

Gosto muito de leituras que me fazem pensar, mas ao mesmo tempo me remete a tempos passados onde errar era menos danoso do que hoje em dia.

A matéria de um site com artigos sobre amor e comportamento fez com que eu fosse levado para um tempo memorável da minha adolescência. Minha paixão por escrever estava aflorando em uma época em que muitos preferiam fazer outras coisas. Eu gostava de escrever minhas memórias tarde da noite, mesmo sabendo que pela manhã eu teria aula. Entrava madrugadas até o meu pulso não aguentar mais. Mas nem sempre eram memórias, muitas vezes eram poemas, citações, tudo o que vinha eu botava no papel.

Era um caderno universitário de 5 matérias, não era de capa dura mas simples e cheguei até a metade ou quase dele com tudo o que vinha na minha mente. Mas a vida daquele caderno não foi tão longa quanto eu queria, a maioria das coisas escritas vinham de fontes inspiradoras que hoje não uso mais. Ele sobreviveu a duas namoradas bravamente até que veio uma que conseguiu fazer algo que achei que ninguém conseguiria. Na intenção de querer apagar aquela pessoa não só da minha memória fez com que eu quisesse apagar tudo o que era físico (fotos, cartas, bichinhos de pelúcia) e acabei incluindo o pobre caderno que nada tinha a ver com o caso.

Após ter tacado fogo em tudo, mas tudo mesmo, pensei e percebi o que eu estava fazendo tarde demais: Queimei noites e mais noites de memórias, crônicas e poemas no decorrer de anos. E o pior não foi só isso, foi o fato de que a pessoa não valia o ato que eu cometera. Claro que eu tinha aproveitado e me desfeito de outras lembranças de outras que passaram, mas nada era tão importante quando o meu caderno.

Pouco lembro do que escrevi pra não dizer que não lembro de nada. Mas eram linhas que me fizeram sorrir, pensar e até mesmo chorar. Narrativas de experiências que passei, crônicas de pequenos momento com amigos, família. Algumas coisas que até poderia reescrever mas nunca terão o mesmo teor, emoção e até mesmo sentimento daquelas linhas que as chamas consumiram.

Aprendi que agir sob impulso de raiva ou tristeza não resolverá seja qual for o problema. Descarregar sua raiva seja correr com seu carro ou num copo de bebida alcoólica nunca farão seu passado mudar e tão pouco a pessoa saberá o que está fazendo e mesmo que saiba pouco se importará. O tempo de cura não precisa ser regado de formas que te deixem cicatrizes físicas se já bastam as cicatrizes sentimentais. Refletir sobre o porque que tudo aquilo aconteceu pode ser feito num banco de uma praça ou assistindo um pôr-do-sol.

Deixe que o tempo traga as respostas durante esse processo pois muitas vezes um erro hoje é o acerto de amanhã e cada dia se torna um dia melhor. Você acorda mais disposto e quando menos esperar o que era lembrança se transformou em sonho passageiro. Parabéns, você passou por mais um processo de amadurecimento e o seu eu está mais forte e pronto para novas experiências.

 

Paz e luz para todos! Até a próxima.

 

 

 

Amante das letras, da música e da fotografia. Criador do site Na Companhia do Café e autor de todos os textos postados aqui.

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